quarta-feira, dezembro 19, 2012

Quando a embalagem determina a categoria!



Hoje, dia 19/12/2012, li matéria no jornal Gazeta do Povo sobre a suspensão das vendas e recolhimento das embalagens de um "espumante sem álcool", chamado Spunch, comercializado pela empresa Viti Vinícola Cereser, de Jundiaí/SP.
Segundo a matéria, o produto, apesar de ser apenas um suco de frutas, possui "embalagem semelhante a dos espumantes com álcool, inclusive com a rolha de metal", (sic), o que poderia  “induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”.
Independente do certo e do errado, imediatamente me veio à mente a ideia de que o fator que leva a esta interpretação é o fato da embalagem ser símbolo de uma categoria de produtos.
Ou seja, a embalagem dos espumantes está cumprindo um dos seus papéis principais, reforçando a máxima que estabelece que "a embalagem é o produto"!
Do lado do marketing, a prática de produtos se apropriando de atributos já estabelecidos por outras marcas e categorias é bastante comum, muitas vezes sendo consideradas ideias geniais. Temos assim, perfumes com marcas de carros, relógios com marcas de vestuários e vários outros exemplos semelhantes. É só procurar!

Imagino, e reforço que esta é somente a minha opinião, que a marca em questão pode ter pensado em se apropriar dos atributos de celebração, descontração e felicidade, normalmente associados ao produto que inspirou as embalagens e nunca levantou a possibilidade de interpretações diferentes!
Por mais incrível que possa parecer, este tipo de "displicência" é mais comum do que imaginamos durantes os diversos projetos de desenvolvimento de produtos e suas embalagens.
Infelizmente, não há no site da Cereser nenhuma menção ao problema com este produto.
Acontecimentos como estes derrubam a moral do pessoal de desenvolvimento de embalagem, mas a vida é assim! E ela continua!

Em tempo, a embalagem do produto é feita de vidro, tem formato clássico dos espumantes e champagnes. O frasco é decorado com uma luva (sleeve) muito bem produzido e impresso com motivos de personagens de estórias infantis da Disney.
A tampa é, como a própria matéria do jornal destaca, uma rolha própria dos espumantes, inclusive com o arame que impede que o mesmo saia com a pressão interna!

Para nós, que trabalhamos com desenvolvimento de produtos e embalagens, fica a lição de que quando uma embalagem representa uma categoria, uma boa idéia pode ser (muito) mal interpretada!
E que nossa responsabilidade vai muito mais além do que apenas os detalhes técnicos relacionados com design, materiais e processos.

E você leitor, o que pensa a respeito?

Abaixo, cópia da matéria da Gazeta do Povo


Fontes: Gazeta do Povo
Cereser

terça-feira, dezembro 11, 2012

1ª Lei do Design e Desenvolvimento: É tudo culpa da embalagem!



Recentemente, a Energizer Holdings, empresa responsável pela marca Banana Boat, recolheu do mercado alguns produtos (protetores solares) por conta do risco potencial dos consumidores literalmente se incendiarem durante o uso do produto! Segundo notícia veiculada pela Cosmetics-DesignUSA, isto poderia acontecer caso o cliente entrasse em contato diretamente com fogo (cigarros, isqueiros, churrasqueiras, por exemplo), antes do produto secar completamente na pele!!!!
O que me chamou realmente a atenção e que credencia este assunto a entrar neste blog é que uma das justificativas para o problema foi atribuída a válvula. É isto mesmo que você está lendo: o problema seria da embalagem!!!
Isto me lembrou uma das máximas do mercado em que atuo:

Tudo é culpa da embalagem!!! Mesmo quando isto não é verdade, pelo menos a solução vem por meio da embalagem!

No caso específico dos produtos Banana Boat que apresentam o problema, todos são na forma de aerossóis e portanto possuem algum tipo de gás (normalmente butano-propano) inflamável em sua composição. Segundo a matéria, a válvula utilizada teria uma vazão maior do que a recomendada para este tipo de produto e por isso, libera uma quantidade superior de produto (mais o gás), durante a aplicação do protetor solar, levando mais tempo para evaporar o gás e portanto, aumentando o risco de flamabilidade!
O próprio fabricante detectou o problema e avisou a FDA (a Anvisa americana), após receber pelo menos 5 reclamações de clientes em outubro último!

Uma outra questão muito interessante que a matéria levanta é se este seria ou não um problema de rotulagem, afinal todos os aerossóis, inclusive no Brasil, tem dizeres legais obrigatórios informando que os produtos deste tipos são inflamáveis, que possuem conteúdo sob pressão e que precisam ser mantidos longe de fontes de calor ou de ignição.
Mas se tratando de protetores solares, isto é meio que um contrasenso, não acham?
Gostaria muito de ouvir/ler as opiniões de vocês sobre o assunto.
Deixem comentários ou se inscrevam no grupo do Packbyday no Facebook!!

Fontes: